Cardiologia

O que é?

A Arritmia Cardíaca é a aceleração ou desaceleração anormal dos batimentos cardíacos. Existem três tipos de anomalias nos batimentos, são elas a taquicardia, a bradicardia e o descompasso. Na primeira, a frequência cardíaca fica muito rápida, de modo a bater mais que o normal, e na segunda, é possível sentir o coração devagar, batendo menos que o normal. Já na terceira, ocorre que os batimentos ficam irregulares, aumentando e subindo desproporcionalmente.

Se em uma pessoa que não apresenta a patologia os batimentos giram em torno de 55 a 100 batimentos por minuto, em um paciente com arritmia cardíaca, os batimentos podem ser menores que 50, maiores que 100 ou irregulares.

Quais as causas?

As causas que contribuem para o desenvolvimento de Arritmia Cardíaca são inúmeras, sendo possível destacar:

  • Consumo exacerbado de álcool, que se misturado a energéticos pode agravar a situação, pois desequilibra o organismo e afeta inúmeras funções cardíacas e neurológicas.
  • Ser uma pessoa obesa, aumenta o acúmulo de gordura na corrente sanguínea e força o coração a trabalhar mais que o normal.
  • Ter um ritmo de sono completamente desregulado desequilibra as funções cardiovasculares.
  • Ter apneia do sono, também conhecida como apneia noturna, afeta a quantidade de batimentos e a distribuição de nutrientes e oxigênio pelo sangue pois a pessoa fica até 10 segundos com as vias respiratórias obstruídas.
  • Abuso de exercícios físicos e até mesmo de drogas usadas na medicina, como anfetaminas, pois aumentam a chance de se formar coágulos no sangue e diminuir a distribuição de sangue para o coração, o que pode alterar e lesionar significativamente o coração.
  • Não praticar exercícios físicos também acarreta em arritmia cardíaca, pois a pessoa fica mais suscetível a acumular gordura na corrente sanguínea, de modo que o coração vai precisar bater mais para bombear o sangue.
  • Estresse, pois afeta o ritmo cardíaco e causa hipertensão arterial, o que força o coração a trabalhar mais para a circulação sanguínea.
  • A ingestão de café – e até mesmo alguns chás, que possuem cafeína – também aumenta a frequência cardíaca, pois apesar de o consumo ser feito por dosagem, é comum uma pessoa tomar muito mais que apenas quatro doses por dia, que é o indicado. Dessa forma, o nível de cafeína aumenta muito e pode prejudicar os batimentos cardíacos.

Existem as causas patogênicas, ou seja, advindas de outras doenças ou patologias, por exemplo um ataque cardíaco ou outras condições que danificam o sistema elétrico do coração. É possível acrescentar também a pressão alta, doenças da artéria coronária (que é mais comum em homens do que em mulheres), insuficiência cardíaca, Diabete Mellitus e hipotireoidismo ou hipertireoidismo.

Dentro dos três tipos da patologia (bradicardia, taquicardia e descompasso), existem dois tipos de arritmia cardíaca, a arritmia benigna e a maligna. A primeira, mais comum que a outra, não desregula a função do coração e não traz risco de morte. Já a segunda é mais séria e piora com exercícios físicos, podendo levar inclusive a morte súbita.

Quais são os sintomas?

Embora a doença não seja considerada séria, em quadros acentuados os sintomas podem ser severos. É o caso de falta de ar, dor no peito, desmaios e até mesmo levar à morte súbita cardíaca.  Apesar de existirem vários sintomas da Arritmia Cardíaca, ela também pode ser assintomática. O que faz com que o médico só descubra ao verificar o pulso do paciente ou durante um eletrocardiograma.

Tanto para a arritmia maligna como para a benigna, os sintomas são os mesmos: sensação de cansaço ou fraqueza, incomodo ou dor no peito, mal estar (tonturas), desmaios, palpitação do coração, palidez, sudorese (transpiração exacerbada), falta de ar e sensação de nó na garganta.

Os sintomas da patologia podem ser sentidos no pescoço, tórax ou garganta. É muito comum os pacientes se queixarem de estar com o coração acelerado mesmo em repouso e sem fatores adicionais, como estresse ou exercícios físicos.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é feito clinicamente por um cardiologista com o auxílio de exames complementares que tragam um panorama das condições cardiológicas do paciente. A primeira etapa da consulta é a de descrição da queixa, onde a pessoa deve levar uma pequena lista com os sintomas (bem como quando eles começaram, se são crônicos ou não e se são intensos). O que pode ajudar também, é um breve relato sobre a rotina diária e um pequeno histórico de saúde familiar e individual.

Com esses dados o cardiologista pode descartar ou incluir outras possibilidades de doenças que tenham queixas parecidas. A segunda etapa é o exame físico, onde o médico analisa frequência e pressão cardíacas em busca de anormalidades. Já na terceira fase, o cardiologista vai pedir uma série de exames que o ajudem a mitigar as possíveis doenças.

Os exames mais comumente pedidos são:

  • Eletrocardiograma, que é um gráfico responsável por monitorar e registrar as oscilações elétricas das funções do músculo cardíaco.
  • Monitoramento Holter: sem dúvida um dos exames mais eficazes no trato e na investigação de doenças cardíacas, o Holter é um pequeno aparelho portátil que monitora a atividade elétrica do coração do paciente durante 24 horas. Os dados fornecidos pelo aparelho são então guardados para serem analisados posteriormente. Para o exame ser mais eficaz, o paciente pode anotar o horário das atividades e dos sintomas, pois assim é possível mitigar ainda mais as causas.
  • Monitor de eventos (Looper): esse exame é semelhante ao Holter, mas pode ser usado durante mais tempo (em um período de 24 horas e de sete a 30 dias), e o monitoramento pode ser aleatório ou ser acionado no momento do sintoma.
  • Ecocardiograma: exame de ultrassonografia do coração, que fornece imagens baseadas em ondas sonoras emitidas pelo coração que são imperceptíveis ao ouvido humano.

Dessa forma, é possível chegar ainda mais perto do diagnóstico e decidir então pelo tratamento que mais se adequa ao quadro clínico do paciente.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Existem diversos tratamentos disponíveis, e todos são divididos entre conservador e cirúrgico. No primeiro não há a necessidade de cirurgia, ao passo que no segundo, indicado para casos mais graves e urgentes, sim. Entretanto, o tratamento vai depender do tipo de arritmia do paciente. A taquicardia pode exigir medicamentos e tratamentos diferentes da bradicardia.

Em geral, as técnicas de tratamento se desenvolveram muito nas últimas décadas e são cada vez mais eficazes se seguidas corretamente. Vale lembrar que grande parte dos tratamentos para arritmia cardíaca não necessita de cirurgia, são eles:

  • Tratamento farmacológico: consiste em tratar a doença com o auxílio de medicamentos chamados de drogas antiarrítmicas. Embora seja indicado para casos mais simples, essa forma de tratamento não responde bem e é considerada apenas um paliativo.
  • Medicações intravenosas: tratamento composto pela injeção de medicamentos mais fortes, que visam restaurar a frequência normal. Responde um pouco melhor que o tratamento farmacológico.
  • Cardioversão elétrica: também conhecida por choque elétrico, essa forma de tratamento é mais utilizada para reorganizar o ritmo do coração após tentativas de se tratar farmacologicamente ou com medicações intravenosas.

Contudo, se nenhuma das formas de tratamento descritas acima forem eficazes, ou se a urgência por um tratamento definitivo for grande, o paciente pode ser submetido a uma cirurgia. Existem três tipos de cirurgia, e duas delas são mais usadas e com maior aceitação médica, são elas:

  • Cirurgia de ablação: constituída pela cauterização, ou seja, pela queimadura bem localizada e com grande precisão, que pode impedir e dificultar o surgimento de novas crises de arritmia cardíaca. Essa forma de tratamento é pouco invasiva e é considerada de ponta.
  • Cirurgia de marca-passo: consiste em colocar um dispositivo conhecido por “marca-passo”, que tem a função de observar e corrigir os defeitos do ritmo cardíaco, de modo a aumentar ou diminuir a frequência dos batimentos.
  • Cirurgia cardíaca aberta: Apesar de ser eficaz, esse procedimento apresenta riscos ao paciente e portanto, é pouco indicado e menos utilizado atualmente. Ele consiste em reparar o problema em questão operando a região de interesse do coração com incisões mais profundas que em outras cirurgias mais simples. Mas pode ficar tranquilo, pois o procedimento evoluiu muito nos últimos anos, de modo que apresenta cada vez menos riscos.

Informação de recuperação e tratamento

Para a recuperação ser eficaz, o paciente deve seguir o passo a passo do tratamento indicado pelo médico, e qualquer alteração na ingestão de medicamentos deve ser avisada, pois pode apresentar riscos à saúde. Se acontecer de tomar o remédio em doses elevadas, deve-se seguir as recomendações da bula e entrar em contato com o cardiologista responsável o mais rápido possível.

Se o tratamento utilizado foi o de cirurgia cardíaca, então o paciente deverá seguir recomendações médicas ainda mais rígidas, pois consiste na reabilitação de um dos mais importantes órgãos do corpo, o coração. Toda a cirurgia do coração é feita em hospital, com uma sala cirúrgica esterilizada e uma equipe médica preparada e especializada em operações cardíacas.

A recuperação dessas cirurgias pode ser constituída de períodos diferentes, pois depende das condições de saúde do paciente, até por isso não é possível determinar um período exato. O que se pode dizer é que em um paciente mais jovem e sadio, a recuperação pode ser mais rápida, mas em um paciente com mais idade e sedentário, pode demorar mais.

Pacientes portadores de marca–passo precisam estar cientes de que aparelhos eletrônicos, como celulares, aparelhos digitais e eletrodomésticos em geral podem causar interferências no funcionamento, mesmo que elas sejam raras. Ao fazer exames de imagem e radioterapia, o paciente deve ter cautela e avisar os médicos responsáveis, pois os exames podem alterar as funções do marca-passo. De todo o modo, em qualquer consulta com outro médico o paciente deve avisar sobre o uso de marca-passo.

Como é feita a prevenção?

Como a arritmia cardíaca pode estar relacionada a problemas do coração desenvolvidos a partir de hábitos que prejudicam a saúde recomenda-se a prática de atividades físicas regulares, como caminhar ou correr, alimentação saudável, rica em nutrientes que auxiliem a circulação, evitar a obesidade e ter um ciclo de sono saudável. Juntas, essas ações podem evitar o desenvolvimento, por exemplo, da doença da artéria coronária, diminuindo a chance de surgir a arritmia cardíaca. 

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