Cardiologia

 

O ritmo acelerado da vida moderna pode gerar falta de disposição e, muitas vezes, a sensação de que mesmo após uma noite de sono, ainda há cansaço. Nesse contexto, os energéticos se tornaram subterfúgio para adquirir mais energia. A bebida é amplamente consumida, inclusive, por atletas que estão em fase de competições e desejam aumentar o rendimento físico. A ideia é de que ele torne as pessoas que o consomem mais ativas, mas em vez de aliado, ele pode se tornar um vilão.

Dados divulgados pelo Serviço de Administração em Abuso de Substâncias e Saúde Mental dos Estados Unidos revelaram que a ingestão desse tipo de estimulante causou aumento de 279% no número de pessoas acima de 40 anos que foram parar em hospitais após o consumo da bebida, entre 2007 e 2011.

As bebidas energéticas são compostas, basicamente, por taurina, cafeína e açúcar. Esses componentes são capazes de atingir o córtex cerebral e inibir a ação da adenosina, um dos neurotransmissores que induzem ao sono, provocando aceleração dos batimentos cardíacos e causando até taquicardia.

Os estudos realizados como forma de prevenir problemas não deixam dúvidas que consumir produtos dessa natureza pode trazer vários efeitos colaterais ao organismo. Cientistas de universidades na Espanha, Itália e Estados Unidos constataram que o consumo regular desses produtos por jovens, aparentemente saudáveis, pode levar à síndrome de morte súbita por arritmia.

Em um estudo sobre o assunto, participantes com idade de 13 anos ingeriram energéticos e se submeteram à avaliação durante uma partida de futebol. Os jovens tiveram quadros de fibrilação atrial, ou seja, batimentos cardíacos rápidos e irregulares. Entretanto, isso é muito raro em adolescentes que não foram diagnosticados com algum tipo de doença cardíaca. Isso acontece porque essas bebidas deixam o coração constantemente acelerado e criam um quadro de estresse que propiciam não só arritmia e taquicardia, como também ataques cardíacos.

Componentes prejudiciais

Uma das substâncias responsáveis por esses efeitos colaterais presentes nos energéticos, por exemplo, é a cafeína que deve ser ingerida com moderação. Especialistas recomendam que adultos consumam, no máximo, 2,5 ml por quilo, ou seja, uma pessoa com 60 quilos não poderia ingerir mais do que 150 ml. Porém, nos energéticos a quantidade de cafeína encontrada pode variar de 80 a 500 ml.

Assim que é ingerida, a cafeína estimula o sistema nervoso a liberar hormônios como adrenalina e noradrenalina que, juntos, aumentam a frequência cardíaca e estreitam os vasos sanguíneos, aumentando a pressão arterial. Se uma pessoa com algum tipo de problema cardíaco pré-existente ingere energético, pode desencadear infarto ou derrame.

Essa probabilidade aumenta ainda mais para pessoas com mais de 40 anos. Isso porque é mais comum a existência de fatores de risco como hipertensão, obesidade, tabagismo e má alimentação, que contribuem para a manifestação de problemas cardíacos.

E se engana quem pensa que é preciso tomar energético em excesso para constatar as consequências da bebida no corpo humano. Uma latinha de 400 ml já pode alterar várias funções do corpo – como o aumento da pressão arterial, elevando o risco para o músculo cardíaco e, se o consumo for frequente, esse laudo pode se tornar permanente.

Outro componente que precisa ser dosado e está presente na bebida é a taurina: um aminoácido sintetizado que age principalmente no fígado e no cérebro, contribuindo para a regulação dos níveis de água e sais minerais no sangue e diminuindo a fadiga muscular. No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece que o limite máximo de taurina como ingrediente para o composto líquido pronto para o consumo em 400 mg seja de 100 ml.

O fato de as bebidas energéticas conterem grande quantidade de açúcar também é preocupante tanto para pessoas que são predispostas a ter diabetes, quanto para as que não são. Por causa das altas doses de açúcar, no momento de ingestão da bebida há um pico de glicemia seguido por exaustão (geralmente maior do que a pessoa estava sentindo antes do consumo).

Efeitos colaterais

Os riscos mais graves relacionados a este tipo de bebida surgem quando há o excesso de energético, ou quando ele é misturado com álcool. A intensidade dos efeitos varia dependendo da resistência e vulnerabilidade de cada organismo, mas no geral, esses efeitos podem envolver:

- Contrações musculares involuntárias causadas pela descarga de adrenalina e noradrenalina;

- Fasciculação que acontece quando os níveis elevados de hormônios fazem as pálpebras tremerem;

- Gastrite ocasionada pelos hormônios liberados pela cafeína que favorecem a liberação de ácidos no estômago, causando queimação;

Além disso, os energéticos geralmente possuem PH baixo, fator que combinado com o açúcar corrói o esmalte dos dentes e, em longo prazo, pode ser bastante prejudicial.

O consumo em excesso de cafeína interfere diretamente no sistema nervoso central, podendo causar desidratação acelerada e perda de nutrientes e, se o consumo perdurar por muito tempo, a tendência é de que a pessoa desenvolva ansiedade crônica. Além de insônia, taquicardia, palpitações, nervosismo, hipertensão e falta de coordenação motora.

Recomendações de consumo

Especialistas recomendam que a bebida não seja consumida após exercícios físicos intensos, justamente pelo aumento da pressão arterial que pode causar, inclusive, casos de infarto fulminante.

As bebidas energéticas também não devem ser utilizadas para substituir líquidos, por causa do efeito diurético da cafeína que aumenta o risco de desidratação. É aconselhável não consumir muito energético, porque ele contém alto teor de compostos que diluem o sangue e podem causar hemorragia no cérebro.

Recomenda-se não misturar o energético com bebidas alcoólicas, porque a mistura ataca diretamente o fígado e pode ser fatal. Além disso, pessoas com problemas cardiovasculares, hipertensão, grávidas ou que tenham sensibilidade à cafeína, devem evitá-las sempre.

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