Cardiologia

O que é a doença arterial coronariana?

A doença arterial coronariana faz parte de um grupo de doenças cardiovasculares. Atingindo diretamente o coração, elas representam a quinta maior causa de óbito no mundo todo. E, se se a população não se atentar às medidas de prevenção, a previsão é de que ela seja a principal causa de morte até 2020.

Ela é perigosa, não tem cura e pode ser fatal. Para facilitar a compreensão da importância do diagnóstico, cuidados que o paciente deve tomar e as formas de prevenção desse mal, vamos fazer alusão a um extenso e único túnel que dá acesso a vários pontos importantes. Nesse túnel, somente é permitido passar um veículo por vez e cada um deles deverá fazer o trajeto de ida e volta. Se esse túnel for obstruído, o tráfego para.

As artérias representam esse túnel e os veículos, o sangue no caminho para o coração. Não pode haver interferência nenhuma no fluxo de bombeamento, caso contrário, o paciente pode vir a óbito. Essa interferência no fluxo sanguíneo recebe o nome de doença arterial coronariana (DAC) e é também conhecida como aterosclerose coronariana.

Quais são as causas?

Tudo acontece por causa do acúmulo de gordura nas paredes arteriais e o resultado disso é a obstrução desse vaso fundamental para a irrigação dos tecidos e órgãos.

As placas de gordura são formadas por colesterol, glóbulos brancos e outras substâncias encontradas na corrente sanguínea e esse acúmulo pode levar anos para se formar, acarretando no bloqueio progressivo da passagem do sangue. Como esse estreitamento acontece aos poucos, o paciente não sente os sintomas, a não ser quando a doença já está em fase crônica, o que pode levar ao infarto ou angina (uma dor no peito aguda). A palavra tem origem grega e significa estrangular.

Essas placas de gordura podem também se soltar e, ao se espalhar pelo corpo, contribuem para a formação de coágulos sanguíneos e, com isso, prejudicam a irrigação de sangue em outros órgãos. Raramente a doença arterial coronariana pode ocorrer por causa de um defeito congênito, alastramento de algum vírus, lúpus, inflamação das artérias ou, até mesmo, por uma lesão física.

Por ocorrer aos poucos, é fundamental que as pessoas criem o hábito de consultar periodicamente um cardiologista e fazer os exames necessários para prevenção de doenças cardiovasculares.

Grupo de risco

Entre os fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver e agravar o estado a doença estão os altos níveis de colesterol LDL (colesterol ruim), diabetes (especialmente do tipo 2, mellitus), fumar, estar acima do peso, ser hipertenso e sedentário. Somados ao envelhecimento, esses problemas podem ser determinantes para a progressão da doença.

Algumas disfunções presentes no metabolismo também podem contribuir para o agravamento da doença, como o hipotireoidismo.

Pesquisas apontam, ainda, que ter pessoas na família que já tiveram a doença contribui para o surgimento dela e que o cigarro duplica o risco de adquiri-la (independentemente do nível de colesterol no sangue). Estatisticamente, a doença afeta mais de 55% dos portadores de diabetes e só no Brasil existem mais de 2 milhões de casos por ano com a doença.

Sintomas comuns

Como cada caso se apresenta de formas diferentes, a doença arterial coronariana pode ou não apresentar sintomas, dependendo da variação do quadro patológico de cada paciente. Entre os indícios da doença estão dor no peito (angina), falta de ar e cansaço após realizar algum esforço físico. Isso acontece porque após a realização de esforço, o organismo demanda maior quantidade de oxigênio e por haver obstrução das artérias o coração, ele não recebe a quantidade necessária, o que dificulta o bombeamento.

As dores ocorrem dependendo do local em que há o estreitamento das artérias e podem aparecer de diferentes formas. Se o local afetado for a perna, por exemplo, os sintomas podem ser dor após a realização de uma caminhada, palidez, queda de pelos, formigamento e dormência (isso pode acontecer tanto na perna como em qualquer parte do corpo). Já se acontecer na artéria carótida (principal veia que irriga o cérebro e está localizada na região do pescoço), o sintoma pode ser tontura.

Como diagnosticar?

Caso exista a identificação com qualquer um dos sintomas mencionados, principalmente a dor no peito, é essencial procurar um cardiologista que irá identificar o problema e indicar qual será o melhor tratamento, dependendo do quadro do paciente. Quanto mais precoce for o diagnóstico, melhores serão os resultados e a prevenção contra casos extremos como ataque cardíaco e acidente vascular cerebral, por exemplo.

Entre os exames que podem contribuir para a identificação de aterosclerose coronariana estão: angiografia coronária por ressonância magnética; ecocardiograma; eletrocardiograma; angiotomografia do coração; submeter o paciente a testes de esforços físicos; ultrassonografia com doppler; entre outros exames.

Tratamentos disponíveis

Em pacientes acometidos por hipertensão, diabetes e altos níveis de colesterol, os médicos podem utilizar medicamentos para estabilizar os níveis das doenças e diminuir a gravidade do quadro de aterosclerose coronariana. Os medicamentos têm como objetivo a atenuar o impacto do bombeamento para o coração, aumentar o fluxo sanguíneo na artéria coronária e diminuir ou, se possível, reverter o acúmulo da aterosclerose.

Se houver o agravamento do caso também pode ser feita intervenção cirúrgica. Os procedimentos são intervenção coronariana percutânea (ICP) e cirurgia de revascularização (em que pode ser utilizada a ponte de safena, por exemplo, para contornar as veias afetadas).

No ICP é feita uma angioplastia – procedimento realizado para desobstrução da artéria e considerado pouco invasivo. Nele, é utilizado um cateter montado com ponta de balão que leva e implanta o stent (um tubo minúsculo feito de aço inoxidável) permanentemente no vaso que estava bloqueado, restaurando-o.

Já na realização da cirurgia de revascularização, é retirada uma veia de outra parte do corpo para conectar a aorta (principal artéria que leva o sangue do coração para o resto do corpo), dessa forma o fluxo sanguíneo é desviado. Mesmo após os procedimentos cirúrgicos, a DAC pode voltar a se manifestar, até mesmo os enxertos venosos podem ser novamente obstruídos.

Mudanças estratégicas no estilo de vida do paciente são fundamentais para ajudar a diminuir os sintomas. Ele deverá parar de fumar, ser restringido a uma dieta rigorosa com baixa ingestão de colesterol, além de praticar exercícios físicos e passar a consultar um cardiologista periodicamente.

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