Cardiologia

O que é a doença arterial periférica?

As artérias são responsáveis por levar o sangue rico em oxigênio e nutrientes do seu coração para o resto do corpo. Normalmente, elas são lisas e sem obstáculos no interior, mas podem ser bloqueadas, causando inclusive o endurecimento das mesmas pelo acúmulo de gordura e tecido fibroso. Quando acontece esse bloqueio das artérias dos membros inferiores, prejudicando a irrigação do sangue nas pernas e pés, ocorre Doença Arterial Periférica.

O termo genérico para o espessamento e perda da elasticidade das paredes arteriais é conhecido como aterosclerose. Existem três tipos de variação da doença que diferem na fisiopatologia, consequências clínicas e patológicas. São eles: aterosclerose, o padrão mais frequente e importante; esclerose medial calcificada de mönckeberg é caracterizada por depósitos calcificados nas artérias musculares e ocorre em indivíduos com idade superior a 50 anos; e arteriolosclerose que acomete as pequenas artérias e arteríolas, mais comumente associadas com hipertensão e diabetes mellitus

Quais são as causas?

A Doença Arterial Periférica é frequentemente causada por aterosclerose e nos Estados Unidos, a doença compromete aproximadamente 12% da população e o sexo masculino é o mais afetado. Nesse grupo os homens idosos são mais propensos à manifestação da doença, sendo a forte dor na perna o sintoma mais comum relatado.

Em casos menos comuns, essa condição também pode ser resultado de uma inflamação dos vasos sanguíneos, de alguma lesão ocorrida nos membros inferiores, de algum problema congênito nos ligamentos e músculos dos membros ou, ainda, da exposição à radiação.

Quem faz parte do grupo de risco?

Entre os fatores de risco que costumam aumentar a complexidade da doença arterial periférica, estão: hipertensão; diabetes; obesidade; dislipidemia (um distúrbio caracterizado pela presença excessiva ou anormal de colesterol e triglicérides no sangue); tabagismo (incluindo também o tabagismo passivo); histórico familiar de doença arterial periférica, doença cardíaca ou acidente vascular cerebral; e altos níveis de homocisteína, um componente de proteína que ajuda a construir e sustentar um tecido.

Quais os sintomas?

Os portadores da doença podem reclamar de forte dor na perna ao caminhar (claudicação intermitente), queimação e aperto. Além da dor, Doença Arterial Periférica provoca cãibra, desconforto e cansaço nas pernas, sensação normalmente aliviada após o repouso. Geralmente, esse sintoma acomete a panturrilha, mas pode envolver pés, coxas, quadris, nádegas e, em casos raros, até mesmo os braços.

Conforme a Doença Arterial Periférica progride, a distância percorrida pelo paciente sem a manifestação de sintomas pode diminuir, e quem apresentar estágio grave da doença pode desenvolver, inclusive, dor em estado de repouso, podendo ocasionar isquemia irreversível. Essa condição é agravada pela elevação da perna, causando com frequência, dor à noite e atenuada quando a perna está abaixo do nível do coração.

Aproximadamente 20% dos portadores de Doença Arterial Periférica são assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas. Essa condição pode se dar pelo paciente não ser ativo o suficiente para identificar a isquemia da perna. Outros podem ter sintomas atípicos, por exemplo, intolerância ao esforço inespecífico e dor no quadril ou outra articulação.

A gravidade da Doença Arterial Periférica é medida conforme a apresentação dos sintomas pelo paciente. A leve geralmente não desencadeia nenhum sinal, de moderada a grave ela pode provocar redução ou ausência de pulsos periféricos (poplíteo, tibial posterior ou dorsal do pé). Já os portadores da Doença Arterial Periférica crônica podem ter pele pálida e delgada (atrófica), com perda de pelos e sensação de frio nas pernas e pés. A perna afetada pode desenvolver, ainda, sudorese excessiva (transpiração excessiva), e se tornar cianótica (característica da parte do corpo que se encontra roxa), isso acontece por causa hiperatividade do nervo.

Quando abaixo do nível do coração, o pé pode adquirir coloração vermelha fosca. Em alguns pacientes, a elevação do pé provoca perda da cor e piora da dor isquêmica. Com o pé abaixado, o enchimento venoso se prolonga. Conforme a isquemia piora, podem surgir úlceras (nos dedos, calcanhares, pernas ou pés), especialmente após trauma local. As úlceras em casos mais graves tendem a ser circundadas por tecido necrótico escuro (gangrena seca).

Como diagnosticar?

É fundamental a consulta com especialistas como cardiologistas e angiologistas, para detectar o estágio da doença e as formas possíveis de tratamento. O diagnóstico preciso começará com um exame físico. Em seguida, o especialista poderá recorrer a alguns exames específicos para tratar a doença, como o índice tornozelo-braço, que compara a pressão sanguínea do tornozelo com a pressão do braço. Uma ultrassonografia com Doppler pode detectar os pulsos quando não podem ser palpados e exames como angiografia e de sangue são alguns dos outros testes que podem ser solicitados pelo médico, a fim de eliminar possíveis outras causas, concluindo o diagnóstico e aplicando o melhor tratamento para cada caso específico.

Tratamentos disponíveis

O tratamento da doença arterial periférica tem dois objetivos principais. O primeiro é controlar sintomas mais urgentes como a própria dor na perna e fazer com que o paciente possa retomar suas atividades cotidianas. O segundo é parar a progressão da arteriosclerose em todo o corpo e, assim, reduzir o risco de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.

Todos os pacientes requerem uma modificação agressiva dos fatores de risco incluindo, se necessária, uma mudança brusca no estilo de vida como interrupção do tabagismo e controle do diabetes, dislipidemia, hipertensão e hiper-homocisteinemia.

O exercício também é um aliado importante para combater os sintomas da doença. A caminhada de 35 a 50 minutos de três a quatro vezes por semana pode aumentar a circulação livre de sintomas e melhorar a qualidade de vida. Os mecanismos envolvem: aumento da circulação colateral, melhora da função endotelial com vasodilatação microvascular, diminuição da viscosidade sanguínea e a diminuição da inflamação induzida por isquemia e melhora da extração de oxigênio.

Os cuidados preventivos dos pés são essenciais, especialmente em portadores de diabetes. Entre esses, inclui-se inspeção do pé para averiguar existência de traumas e lesões. Indica-se, ainda, a cirurgia para pacientes que podem tolerar com segurança um procedimento vascular de grande porte e nos quais os sintomas graves não respondem a tratamentos não invasivos. Com isso obtém-se o alívio dos sintomas, a cicatrização das úlceras, bem como a possibilidade de evitar a amputação em casos extremos.

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