Cardiologia

O que é fibrilação atrial?

Responsável por bombear o sangue e irrigar todos os órgãos que compreendem o organismo humano, o coração é um órgão relativamente pequeno, com o tamanho médio de um punho fechado. Por ser fundamental para o funcionamento do corpo, qualquer irregularidade que ocorra nele pode alterar a vida do paciente e até mesmo ser fatal.

Uma alteração no coração considerada relativamente comum é a arritmia cardíaca e, entre os possíveis tipos de arritmia, está a fibrilação atrial – também conhecida como fibrilação auricular. Nela, o ritmo dos batimentos se torna rápido e irregular.

Durante um batimento cardíaco normal, os impulsos elétricos que levam à contração das aurículas têm origem em uma pequena área denominada nódulo sinusal, mas nos episódios de fibrilação auricular, os impulsos para contração provém de toda a aurícula, desencadeando entre 300 e 500 contrações por minuto nas câmaras do coração.

Somente no Brasil, essa condição atinge mais de dois milhões de pessoas, acometendo com maior frequência o público masculino. A tendência é que os sintomas se tornem mais recorrentes em idosos com mais de 80 anos.

Quais são as causas?

A fibrilação atrial acontece quando as câmaras superiores do coração, denominadas aurículas, não se contraem de forma simultânea e tremulam ou “fibrilam” (sintoma que dá origem ao nome da doença), impedindo que aconteça o fornecimento de sangue considerado regular para o organismo. Por causa disso, há o acúmulo de sangue nas câmaras cardíacas.

Pacientes que tenham algum tipo de doença como hipertensão, miocardiopatia isquêmica ou não isquêmica são mais propensos a sofrer de fibrilação atrial. Ela também pode acontecer decorrente de outras doenças menos comuns, como embolia pulmonar, miocardite e pericardite. A patologia também pode estar associada a uma causa isolada.

Em outros casos, ela pode ser decorrente de uma doença congênita ou de danos causados por um infarto, problema em alguma válvula cardíaca e até mesmo devido a infecções virais. No entanto, isso não isenta pessoas que não tenham qualquer dano ou sequela na estrutura cardíaca a sofrer da doença, que pode aparecer sem causa esclarecida.

Tipos de fibrilação atrial

Entre os tipos de fibrilação atrial estão a fibrilação atrial aguda; paroxística; persistente e permanente. Confira a seguir as nuances de cada uma delas.

- A fibrilação atrial aguda tem início recente e os sintomas persistem por até 48 horas;

- A fibrilação atrial paroxística pode durar por segundos ou dias, retornar por um instante, mas os batimentos voltam ao normal;

- O tipo persistente da arritmia cardíaca pode perdurar por semanas ou meses e requer tratamento específico para que o coração volte a bater no ritmo normal;

Quanto mais tempo durarem os episódios de fibrilação atrial, mais difícil fica reverter o quadro, mesmo com tratamento. Isso porque o sistema cardíaco passa por uma espécie de remodelamento atrial (alterações induzidas pela nova frequência cardíaca) – o que acontece nos casos de fibrilação atrial permanente, que acaba sendo constante e nem sempre há necessidade médica de reverter isso.

Fatores de risco

Entre os fatores de risco que podem contribuir para que o paciente desenvolva um quadro de arritmia cardíaca, estão:

- Idade (quando mais avançada, mais chances o paciente tem de desenvolver os sintomas);

- Hipertensão;

- Doenças cardíacas previamente existentes (problemas nas válvulas; cardiopatias congênitas; insuficiência cardíaca; DAC – doença arterial coronariana; ou histórico de infartos);

- Obesidade;

- Histórico familiar da doença;

- Consumir álcool em excesso.

Outras condições que podem levar o paciente a um quadro de fibrilação auricular são as de pessoas que comportem doenças crônicas como distúrbios na tireoide, apneia do sono, síndrome metabólica, diabetes, insuficiência renal crônica, doenças pulmonares e dor no peito constante.

Sintomas da anomalia

O paciente que sofre com essa condição pode relatar uma série de sintomas. Por isso, é importante manter uma rotina de avaliação periódica com um cardiologista para verificar se os batimentos cardíacos estão dentro da normalidade.

Entre os sintomas mais recorrentes que o paciente pode sentir, estão:

- Palpitações;

- Dor no peito;

- Vertigens;

- Fadiga (principalmente durante ou após a execução de algum tipo de exercício físico);

- Tontura;

- Confusão mental;

- Falta de ar;

- Desmaios.

Diagnosticando a fibrilação auricular

Assim que qualquer um dos sintomas apontados anteriormente for identificado, o paciente deverá marcar rapidamente uma consulta com o cardiologista, que poderá identificar a aceleração do batimento cardíaco apenas ao escutá-lo através do estetoscópio. Para confirmar o diagnóstico, o médico poderá solicitar alguns exames de imagem.

O eletrocardiograma é o exame mais indicado: ele é capaz de captar a frequência cardíaca e, portanto, alguma possível disfunção nas atividades do coração.
O holter, um aparelho de eletrocardiograma portátil que registra a atividade elétrica do coração, apontando todas as suas variações, também poderá ser solicitado. Esse exame tem duração de um dia e identifica possíveis alterações que podem evoluir para quadros de infarto que, geralmente, não aparecem em um exame com tempo mais limitado.

O médico poderá solicitar, ainda, teste de esforço; ecocardiograma (exame cria imagens do coração através das ondas sonoras emitidas por ele); coronariografia (que examina os vasos sanguíneos pertencentes ao músculo cardíaco); raio-X do tórax; exames de sangue e o estudo eletrofisiológico (que examina o sistema elétrico cardíaco).

Tratamento de fibrilação atrial

Em casos mais graves, é preciso recorrer a um tratamento emergencial para estabilizar e reverter a alteração do ritmo cardíaco. Esse tratamento pode envolver choques elétricos ou medicamentos especiais.

O médico especialista poderá ministrar remédios anticoagulantes. Outro possível procedimento é a ablação por cateter, que tem como objetivo eliminar as rotas elétricas anormais no tecido cardíaco, ou até mesmo a ablação cirúrgica, que bloqueia os circuitos elétricos anormais que causam a fibrilação atrial. Marca-passos e desfibriladores podem ser utilizados para detectar o problema precocemente ou evitar que ele volte a se manifestar.

Os pacientes que já tem histórico de doenças cardíacas ou recorrência de algum tipo de sintoma, principalmente a dor no peito, devem evitar hábitos prejudiciais à saúde como fumar e beber. Manter o peso estável e, principalmente, realizar consultas regularmente também são essenciais para controlar a alteração.

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