Cardiologia

 

O que é pericardite?

A pericardite é uma inflamação que afeta essencialmente o pericárdio, uma membrana que tem como característica ser fina e em formato de bolsa. Esta membrana tem a função de envolver e proteger o coração, fazendo a separação entre ele e os outros órgãos, músculos e tecidos que estão ao redor, além de impedir que ele receba mais sangue do que sua capacidade permite, evitando qualquer anormalidade no bombeamento sanguíneo.

A estrutura do pericárdio é composta por duas camadas finas (pericárdio fibroso e pericárdio seroso), que são separadas por uma pequena quantidade de líquido (aproximadamente 20 ml) – este líquido tem a função de lubrificar essas camadas.

Quando o paciente é diagnosticado com pericardite, o volume de líquido que separa essas camadas tende a aumentar consideravelmente. Se o acúmulo de líquido ultrapassar os 120 ml suportados pelo pericárdio, isso poderá comprimir o coração e reduzir a capacidade de bombeamento do sangue, comprometendo a irrigação de sangue, e afetando órgãos e funções dos membros superiores e inferiores.

A pericardite pode acometer qualquer indivíduo, sem distinção de sexo ou idade, no entanto, os homens são mais suscetíveis do que as mulheres. Ela pode ser causada tanto como consequência do uso de drogas, quanto como decorrência de algumas doenças. Entre elas estão traumas, infarto, insuficiência renal, câncer e infecções (principalmente as virais). Outra característica importante é que ela se caracteriza como doença súbita, podendo ser facilmente confundida com infarto por causar forte dor no peito.

Quais são as causas?

Responsável por cerca de 10% dos casos, a causa mais comum de pericardite é a infecção viral. Ela tende a ser mais comum durante as épocas de epidemias (como de gripes e resfriados). Apesar do quadro de virose respiratória cessar em alguns dias, o paciente permanece sentindo fortes dores no peito, quadro característico da infecção.

Entre os vírus que podem causar inflamação do pericárdio estão: echovirus, adenovírus, influenza A e B, enterovírus, caxumba, HIV, catapora, sarampo, parainfluenza tipo 2, vírus de herpes simplex, hepatites A, B ou C, entre outros.

O paciente também pode contrair a doença após ser exposto à radiação para tratamento de câncer, principalmente o câncer de mama e de pulmão pela proximidade da região com o coração. Outra possível causa de contração de pericardite ocorre após traumas no tórax (com o forte impacto causado por um acidente ou, ainda, por causa de uma possível perfuração com armas de fogo, por exemplo).

Outras causas relacionadas à pericardite incluem:
- Infarto do miocárdio (que compromete as funções do músculo cardíaco);

- Insuficiência renal (que pode causar a concentração de toxinas no organismo pela não eliminação natural na urina e provocar irritação no pericárdio);

- Metástase (em casos nos quais as células cancerígenas atingem outros órgãos no corpo, inclusive o coração e acaba comprometendo sua função);

- Doenças autoimunes (como lúpus, artrite, esclerose e vasculite);

- Infecção bacteriana (associada a quadros de infecção pulmonar, tuberculose, ou até mesmo complicações geradas por cirurgia cardíaca);

Doenças intestinais e efeitos colaterais de medicamentos também podem causar inflamação do pericárdio. Além de todas essas possíveis formas de contrair a doença, existem situações em que ela também pode surgir de forma desconhecida: a pericardite idiopática. De forma geral, ela pode se desenvolver repentinamente (caracterizando a pericardite aguda) ou progredir gradativamente (pericardite crônica).

Sintomas da doença

O principal sintoma da doença é a dor no peito que tem como característica ser aguda e perdurar por algum tempo. Essa dor pode se propagar, afetando o ombro esquerdo e o pescoço. Estas particularidades fazem com que ela seja facilmente confundida com infarto.

Outros sintomas são dificuldade para respirar – que acontece principalmente quando o paciente está deitado, fadiga, ansiedade, tosse e febre.

Em alguns casos, no entanto, pode haver uma demora no diagnóstico. Isso porque os sintomas às vezes não são distinguíveis, e podem aparecer somente como uma pressão no peito, por exemplo. As crianças, inclusive, podem sentir dores abdominais.

Como diagnosticar a pericardite

Após sentir dor no peito, o paciente deve procurar ajuda médica. O especialista comprovará o diagnóstico após o exame físico e auscultação do coração, identificando possíveis anormalidades. Ele também pode solicitar exames de sangue e de imagem como ressonância magnética do tórax, radiografia, eletrocardiograma, ecocardiograma e tomografia computadorizada. Após a confirmação do diagnóstico, o paciente é encaminhado para tratamentos específicos de acordo com a gravidade da doença.

Tratamento da doença

A pericardite é séria e precisa de acompanhamento médico e tratamento adequado. Os casos menos graves podem ser tratados com anti-inflamatórios, conforme prescrição e orientação médica, já que eles são aliados poderosos para deter o processo de inflamação.

Já no caso de origem bacteriana, o médico especialista também pode receitar antibióticos para combater a infecção. Se houver esses cuidados por parte do paciente, geralmente, ela tende a durar não mais do que algumas semanas. Sempre observando as restrições médicas, evitando estresse e esforços.

Mas o quadro pode se agravar e em casos críticos (como o derrame pericárdico), ou doenças graves associadas ao diagnóstico (como o câncer). Nesses casos o paciente poderá seguir hospitalizado para o melhor acompanhamento. Existem duas grandes complicações da pericardite: o tamponamento cardíaco e a pericardite constritiva.

O tamponamento cardíaco acontece por causa do acúmulo de líquido no pericárdio. Estatisticamente, em 5% dos casos, esse líquido se acumula tanto que acaba comprimindo os músculos e tecidos cardíacos, impedindo o coração de bombear o sangue e irrigar as demais áreas do corpo. Esse caso se trata de uma emergência, pois o paciente pode entrar em choque por falência cardíaca.

Na pericardite constritiva, os pacientes que possuem inflamação do pericárdio por um longo período de tempo e com reincidências frequentes, podem desenvolver cicatrizes e um permanente engrossamento do pericárdio. Nesses pacientes, o pericárdio acaba perdendo a elasticidade característica e se torna enrijecido. Ao invés de exercer a função de proteger o coração, ele acaba o comprimindo e também dificulta o bombeamento, e consequentemente, o fluxo sanguíneo. Esse tipo de pericardite costuma causar fadiga, falta de ar, cansaço e inchaço nas pernas e abdômen e, por isso, deve ser tratado rapidamente.

Rua Brigadeiro Gavião Peixoto, 389

Lapa - São Paulo - SP

CEP: 05078-000

Telefone: (11) 3643-5833