Clínica médica

A Chikungunya é uma doença relativamente nova, infectocontagiosa e viral como a dengue, febre amarela e zika vírus. Ela também é transmitida pelo vetor Aedes Aegipty, responsável pela proliferação da doença. Dessas quatro doenças graves, somente a febre amarela possui vacinação na rede pública.

Histórico

A febre Chikungunya teve o vírus isolado pela primeira vez em 1950, na região da Tanzânia e recebeu essa nomenclatura porque significa “aqueles que se dobram”, no dialeto local. Isso porque a doença compromete seriamente as articulações, gerando dor de cabeça e febre alta. Apesar de, na maioria dos casos, os pacientes não apresentarem riscos de morte, ela é altamente incapacitante. O paciente tem, inclusive, dificuldade para se locomover após ser identificado com a doença.

A partir de 2004 a febre foi fortemente difundida pelo Quênia e se espalhou nas ilhas do Oceano Índico. Em dois anos, de 2004 a 2006, foram registrados 500 mil novos casos da doença. A partir daí ela se proliferou rapidamente, infectando mais de um milhão de pessoas. Chegou ao Brasil em 2010, por isso é relativamente nova no país que, por ter um clima tropical, é propício para a multiplicação do vírus.

Um levantamento realizado pelo pela Fiocruz – Fundação Oswaldo Cruz, e demais órgãos municipais e estaduais de saúde, apontou que o Rio de Janeiro poderia enfrentar uma epidemia da doença agora no verão de 2019. De janeiro até outubro deste ano, já foram registrados aproximadamente 37 mil casos da doença no estado, sendo que, em 2017 esse número era de 4425 ocorrências. Aumento que representa um desafio no que diz respeito ao controle da doença.

Proliferação

Para que o mosquito se reproduza é necessário apenas água parada, seja em pneus, vasos, garrafas pets, ou em qualquer outro recipiente. Para controlá-la, é necessário realizar ações conjuntas entre a população e órgãos públicos, porque a reprodução é muito rápida.

Em condições favoráveis, os ovos se transformam em larvas e, em apenas dez dias, surgem vários novos mosquitos Aedes Aegypty que podem comprometer uma região inteira. Por isso é importante eliminar dos criadouros periodicamente e realizar vistorias em locais propícios para a multiplicação do mosquito. O ideal é que essa limpeza seja realizada, pelo menos, uma vez por semana.

Causas

A Chikungunya não é transmitida de pessoa para pessoa. O contágio acontece através do mosquito que, sete dias após picar alguém contaminado, pode transportar o vírus durante toda a vida, transmitindo a doença para várias pessoas. Por isso é necessário eliminar o foco de transmissão.

Após a picada pelo Aedes Aegypti, a manifestação dos sintomas demora de dois a 12 dias para começar a acontecer. O paciente pode sentir dor de cabeça e febre alta no início e ter agravamento dos sintomas, conforme a evolução da doença.

O mosquito é identificado por causa das listras brancas no corpo e nas pernas e mede menos de um centímetro. Costuma picar entre as primeiras horas da manhã e no fim da tarde. É muito difícil qualquer pessoa perceber a picada que não dói nem coça no momento.

Fatores de risco

Os cuidados devem ser para todos, especialmente para as gestantes. Embora haja poucos relatos, existe a possibilidade de mulheres abortarem após serem infectadas pelo mosquito. Quem for infectada no período intraparto também pode desenvolver doenças neurológicas, hemorragias, doença do miocárdio e diminuição de plaquetas.

Pessoas com mais de 65 anos apresentaram taxa de mortalidade 50 vezes maior em comparação ao grupo de até 45 anos quando picados pelo mosquito, fator que pode ser decorrente da baixa imunidade.

Sintomas

A Chikungunya pode ser prevenida, mas é muito importante estar sempre atento aos sintomas, porque ela é muito parecida com a dengue. Entre os sintomas da doença estão:

- Febre alta;

- Mal estar generalizado;

- Dores pelo corpo;

- Dor de cabeça;

- Erupções cutâneas;

- Náuseas;

- Vômitos;

- Mialgias (dores musculares);

- Cansaço

- Apatia.

A diferença, contudo está no acometimento das articulações, porque o vírus avança nas juntas dos pacientes e causa inflamações com fortes dores acompanhadas por inchaço, vermelhidão e calor no local. As mãos e os pés são os membros mais afetados, entretanto as dores também podem acometer as costas e pernas.

Diagnóstico da doença

Portanto, se o paciente suspeitar que esteja com a febre Chikungunya, deverá ir imediatamente para o hospital. Para confirmar o diagnóstico, o médico pode solicitar exames como:

- Testes de coagulação;

- Eletrólitos;

- Hermatócrito;

- Enzimas do fígado;

- Contagem de plaquetas;

- Raio-x torácico que aponta se existem efusões pleurais;

- Teste de torniquete (onde uma borracha é amarrada no braço para prender a circulação, se aparecerem pontos vermelhos sobre a pele, é um sinal de manifestação da doença).

Tratamento dos sintomas da Chikungunya

Como ainda não existem vacinas para prevenir ou curar a doença, o tratamento é feito no sentido de amenizar os sintomas. Os pacientes que estão com o vírus devem ser mantidos sob mosquiteiros para evitar a propagação da doença, caso sejam picados novamente pelo mosquito.

Durante o tratamento o paciente deverá tomar muito líquido para evitar a desidratação. O médico pode receitar medicamentos para baixar a febre e atenuar as dores pelo corpo. Dependendo da evolução e gravidade do quadro, o paciente poderá ser internado para tratamento.

Medicamentos à base de acetilsalicílico (ex.: aspirinas), ibuprofeno, diclofenaco e piroxicam devem ser evitados, porque tem substâncias anticoagulantes e podem causar sangramento.

Embora a taxa de mortalidade da doença seja pequena, é muito importante tomar cuidado porque, se não tratada, ela pode sim levar à morte. Após os primeiros dez dias o paciente irá sentir a melhora dos sintomas e regressão das dores articulares, mas após esse período alguns pacientes podem reclamar de dores reumáticas por meses e até anos.

Os pacientes podem também desenvolver distúrbios vasculares periféricos, sintomas depressivos, cansaço geral e fraqueza. De acordo com estudos divulgados, os pacientes podem sofrer com os sintomas até três anos após a picada. Entre eles, o mais comum e que perdura por mais tempo são as dores nas articulações afetadas durante os estágios agudos.

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