Clínica médica

A meningite meningocócica trata-se de uma forma grave de meningite bacteriana, altamente contagiosa, causada pela bactéria de nome científico Neisseria Meningitidis, também conhecida como meningococo. A doença ganhou repercussão após ter vitimado o neto do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, Arthur, de sete anos de idade.

A doença mata centenas de pessoas por ano. Um levantamento feito pelo Ministério da Saúde apontou que em 2018, somente no Brasil foram registrados 1072 casos da doença, que matou, no período, 218 pessoas.

Para se ter uma ideia da gravidade da doença, o neto de Lula deu entrada no Hospital Bartira, em Santo André, por volta das 7h20 da manhã com “quadro instável” e morreu às 12h11 por causa do agravamento do quadro infeccioso.

O que é

A infecção acontece por causa da bactéria que fica alojada entre as meninges (membranas que envolvem o sistema nervoso central, medula espinhal, tronco encefálico e encéfalo) e causa a inflamação das mesmas, ocasionando sintomas como dor de cabeça e pescoço rígido.

Além da meningite causada por bactérias, vírus e fungos também podem causar a doença que pode se espalhar por todo sistema nervoso central. No caso da meningite viral, os sintomas são mais brandos e podem atingir tanto adultos como crianças, com sintomas semelhantes aos de uma gripe.

As três bactérias mais comuns que atingem o organismo e provocam meningite, são: meningococos, pneumococos e haemophylus. Dos três tipos, a meningocócica é a única contagiosa por ser transmissível por vias respiratórias (quando alguém infectado espirra ou tosse perto de outra pessoa). Os outros dois tipos acontecem com menor frequência, pois as vacinas para esse tipo de bactéria são eficazes.

Sintomas da meningite meningocócica

Por causa da bactéria, os sintomas desse tipo da doença evoluem rapidamente e podem agravar muito o quadro do paciente em questão de algumas horas. Entre os sintomas se destacam:

- Febre alta;

- Dor de cabeça;

- Vômitos;

- Náusea;

- Dor na nuca;

- Surgimento de manchas roxas na pele;

- Falta de apetite;

- Dificuldade de cognição;

- Sonolência;

- Agitação;

- Sensibilidade à luz;

- Pescoço rígido (a pessoa tem dificuldade de encostar o queixo no peito).

O paciente pode ter uma piora no quadro, podendo levar a sintomas ainda mais graves, como diarreia, convulsões, delírios e, em alguns casos, coma.

A meningite meningocócica é a forma mais agressiva e temida de meningite bacteriana por conta dos sintomas graves, que podem levar à morte em apenas algumas horas. Ela é extremamente preocupante também pelo fato de ser facilmente transmissível pelas vias respiratórias, ou seja, por gotículas e secreções que saem do nariz e da garganta quando os infectados tossem ou espirram, podendo provocar surtos e epidemias.

Nem todas as pessoas que são infectadas pela bactéria desenvolvem meningite, isso porque grande parte das pessoas já possui defesas contra elas no próprio organismo.

Fatores de risco

Os bebês de seis meses a um ano tendem a ser mais vulneráveis à doença, justamente por não ainda não possuírem anticorpos suficientes para combater o meningococo. Por ser extremamente contagiosa, o contato com o paciente infectado pela doença pode provocar a contaminação pela bactéria. Além disso, problemas no sistema imunológico podem agravar o quadro de quem já é paciente ou facilitar o contágio, caso a pessoa ainda não tenha sido infectada pela bactéria.

Diagnóstico

É importante que assim que forem detectados sintomas como dor de cabeça e pescoço rígido, o paciente procure um médico infectologista o mais rápido possível, pela rapidez com que essa doença se alastra pelo corpo e agrava o quadro clínico em questão de horas.

O médico poderá pedir a confirmação do diagnóstico via exames de sangue e líquido cérebro-espinhal, também conhecido como líquor. O resultado irá apontar o tipo da doença e o tratamento correspondente a ela.

Como os sintomas podem ser facilmente confundidos com uma simples gripe, o correto é procurar orientação médica assim que os sintomas começarem a aparecer, especialmente quando o quadro acontecer em crianças.

Tratamento

O paciente precisa passar por internação para realizar o tratamento o quanto antes, após a confirmação da doença. Ele receberá antibiótico via venosa durante, pelo menos, sete dias. Para evitar o contágio de outras pessoas durante o tratamento, os familiares devem utilizar máscaras de proteção quando forem visitar o paciente. Contudo, não é necessário que ele fique em isolamento.

Como a meningite afeta diretamente o sistema nervoso central, existe o risco de possíveis sequelas. Entre elas estão a perda de visão ou audição, problemas cerebrais, dificuldade de cognição, paralisia dos músculos, ou problemas cardíacos. Essas sequelas podem ocorrer quando o tratamento não for eficaz ou for iniciado tardiamente.

Prevenção da doença

A vacinação é a melhor forma de prevenir a doença. No caso das meningites por bactérias, a mais eficaz é contra a meningite Haemophylus, que já faz parte do programa oficial de vacinação e, desde que foi implantada, reduziu muito o número de pessoas atingidas pela doença.

Contra o pneumococo a vacina também existe e cumpre bem o papel de defender o organismo contra bactéria. Já para o combate da meningite meningocócica, a proteção é menor, por que existem 13 grupos dessas bactérias e as vacinas existentes não conseguem garantir imunidade para todos esses grupos.

Medidas simples podem ser tomadas para combater o contágio em massa, prevenindo os casos de surto. Evitar ambientes abafados e com muitas pessoas, além de lavar bem talheres copos e pratos são medidas preventivas que podem ser muito eficazes para evitar a contaminação.

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