Gastroenterologia

O que é cirrose?

Você certamente já deve ter se deparado em algum momento com a frase: tudo em excesso faz mal. Para muitos, pode parecer um simples clichê, para outros pode custar a própria vida. O quadro de cirrose, também conhecida como cirrose hepática, acontece quando as células são destruídas e o fígado não pode mais cumprir sua função no organismo humano. Um quadro irreversível que é causado, principalmente, pelo consumo exacerbado de álcool.

Com função fundamental no organismo, é no fígado que os nutrientes e minerais ficam armazenados e só após passar por ele, é que essas substâncias estão aptas para serem absorvidas. O fígado transforma galactose e frutose em glicose, proteínas em aminoácidos, transforma a gordura absorvida pela alimentação e, com ela, gera energia através da secreção da bile, além de filtrar o sangue e enviar para os rins as toxinas que deverão ser eliminadas através da urina. Como qualquer órgão importante, qualquer alteração, por menor que seja, pode causar graves problemas.

A cirrose é caracterizada por fibrose e formação de nódulos que bloqueiam a circulação sanguínea. No lugar das células que foram destruídas, o fígado produz uma espécie de tecido de cicatrização, que leva a diminuição das funções hepáticas, colocando em risco a vida do paciente ao causar, nos casos mais críticos, a falência do órgão. As mudanças ocorrem, principalmente, na estrutura do fígado. A textura, que antes era lisa, passa a ser irregular e a consistência do órgão enrijece. Embora o fígado apresente uma alta capacidade de regeneração, quando exposto constantemente ao consumo acentuado de álcool ao longo dos anos, ele perde características importantes que compõem sua estrutura.

Apesar dos homens serem diagnosticados com mais frequência, nos últimos anos, cresceu consideravelmente o número de mulheres com cirrose. É importante também alertar os jovens para essa condição. Já que o consumo intenso e prolongado de álcool poderá comprometer seriamente a saúde deles no futuro, já que grande parte dos pacientes deflagrados com a doença tem idade entre 40 e 60 anos.

Quais são as causas?

A cirrose hepática pode ter causas variadas, mas a principal delas é originada por um fator controlável: o consumo exagerado de álcool. Outra condição que pode levar o paciente a ser diagnosticado com cirrose é a contaminação por hepatite, principalmente os tipos B e C da doença.

A cirrose alcoólica é de fácil prevenção e está intrinsecamente ligada à mudança de hábitos, já que é a exposição do organismo a altos índices de substâncias alcoólicas que caracteriza esse tipo de doença no fígado. O consumo diário e prolongado de aproximadamente três copos de cerveja, ou duas taças de vinho já é a quantidade suficiente para causar lesões no fígado.

A cirrose causada pela hepatite B e C, também é uma causa comum de lesão ao fígado, mas muitas vezes, o paciente só descobre que tem a doença quando o órgão já está altamente comprometido.

Já na cirrose causada pela hepatite autoimune, os anticorpos do organismo matam as células do fígado por entenderem que se trata de uma ameaça para o corpo.

Outras doenças que podem provocar cirrose são: hemocromatose; doença de Wilson; fibrose cística; alguns parasitas e intoxicação por drogas ou medicamentos que são absorvidos pelo fígado.

Sintomas da cirrose

Quando está em fase inicial, geralmente os sintomas da cirrose não são perceptíveis, mas podem ocorrer sintomas como perda do apetite, náuseas, vômito, indigestão e perda de peso. Já em estágios mais avançados, o paciente pode sentir cansaço, fígado aumentado, urina escura, perda de cabelo, hematomas, confusão mental, rompimento de vasos sanguíneos, anemia, ausência de proteínas, câimbras, inchaço exagerado e icterícia (cor amarelada dos olhos e da pele). Nos casos crônicos, a doença pode causar hemorragia digestiva, câncer, encefalopatia hepática – uma síndrome que provoca alteração cerebral provocada pelo mau funcionamento do fígado. O quadro de cirrose também pode provocar o aumento considerável das infecções bacterianas.

Os sintomas e a gravidade do diagnóstico variam, dependendo do estágio da doença e dos sintomas apresentados pelos pacientes que são classificados em 3 grupos (A, B e C, respectivamente), a última é a mais grave.

Como diagnosticar

Ao notar a presença de algum dos sintomas da cirrose citados, o paciente deve procurar um médico especializado que irá solicitar alguns exames para concluir o diagnóstico como ultrassonografia e cintilografia do fígado (exame que avalia a função das células e a permeabilidade do sistema biliar, seguindo a produção e o fluxo da bile através do fígado até o intestino delgado). Alguns exames laboratoriais como a realização de biópsia das células que compõem o fígado também podem ser usados para definir o grau que o paciente se encontra e, até mesmo, se a doença evoluiu para um câncer, por exemplo.

Tratamento

Como o quadro de cirrose hepática não é reversível, ou seja, não há um procedimento ou medicamento capaz de restaurar o fígado em seu estado original (sem a presença da fibrose e dos nódulos). Por isso, geralmente, são utilizados métodos que previnem a rápida progressão da doença e trazem qualidade de vida ao paciente, principalmente com o fim da ingestão de álcool. Também é necessário que o paciente tenha uma dieta balanceada e evite o consumo de sal, por exemplo.

Os casos críticos podem demandar um transplante de fígado que tem índice de sucesso em 80% dos casos, no entanto, uma operação de mudança de órgãos sempre apresenta riscos, principalmente, por causa do tempo de espera a que o paciente ficará exposto à possível falência do órgão até encontrar um doador compatível.

No caso da cirrose associada a alterações metabólicas, como o diabetes, por exemplo, o paciente deve perder peso e controlar ao máximo os níveis de glicose no sangue. O hábito de fumar também agrava a condição do paciente já que libera toxinas no organismo. Seguir à risca as recomendações de prevenção é sempre o melhor caminho para evitar a doença e suas complicações.

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