Ginecologia

 

Não é exagero nenhum afirmar que as mulheres vivem sob o comando dos hormônios durante toda vida. Isso é perceptível durante as fases que envolvem o ciclo menstrual e vivenciado organicamente pelas mulheres. Se as fases que englobam o ciclo já são, muitas vezes, difíceis de assimilar, é ainda mais complicado quando existe algum tipo de distúrbio hormonal. É o que acontece na síndrome do ovário policístico.

Ela também é conhecida como síndrome de Stein-Leventhal e é caracterizada pelo aumento do tamanho dos ovários, menstruação irregular, criação de bolsas cheias cistos e aumento da produção de hormônios masculinos. Relativamente comum por afetar cerca de 20% das mulheres, o problema pode atingi-las em várias idades, sendo mais comum durante a adolescência.

A doença tem uma incidência relativamente grande – nos Estados Unidos, por exemplo, ela é a causa mais comum de infertilidade. A síndrome do ovário policístico pode se manifestar de diferentes formas. Por isso, assim que qualquer sintoma for identificado, é necessário o acompanhamento do médico ginecologista ou médico endocrinologista, que direcionará a paciente para o tratamento mais eficaz.

Fatores de risco

Apesar de especialistas ainda não terem identificado as causas da doença, as pacientes que manifestam os sintomas podem ter:

- Excesso ou resistência à insulina;

- Parentes que tinham ou tiveram a doença;

- Baixo peso ao nascer e surgimento dos pelos pubianos no início da adolescência (pubarca precoce).

A síndrome do ovário policístico possui várias complicações graves, entre elas estão a infertilidade e o risco de ter doenças cardiovasculares. Mulheres diagnosticadas com a síndrome têm maiores chances de desenvolver patologias como:

- Pressão alta;

- Colesterol alto;

- Câncer de endométrio (na parede interna do útero);

- Diabetes;

- Ataque cardíaco;

- Ansiedade;

- Depressão;

- Apneia do sono.

As mulheres que desejam engravidar também podem ter complicações durante a gravidez, principalmente as que estão possuem sobrepeso ou grávidas de gêmeos. Por isso, além de seguir todas as orientações do médico ginecologista ou médico endocrinologista, é extremamente importante realizar o pré-natal, se exercitar e ter uma alimentação saudável.

Sintomas da doença

Os sintomas mais comuns são menstruação irregular e sinais de hiperandrogenismo (acne e aumento das concentrações de testosterona total, por exemplo). Os primeiros sinais da síndrome do ovário policístico podem surgir logo após a primeira menstruação, entre 10 e 12 anos, quando os ovários, que até então estavam inativos, passam a produzir hormônios em grandes quantidades.

Embora alguns sintomas apareçam cedo, a doença pode se desenvolver com o passar do tempo e se manifestar efetivamente quando a mulher está em estágio reprodutivo, se agravando no decorrer dos anos.

Para ser diagnosticada com a síndrome é preciso que a paciente apresente dois ou mais dos seguintes sintomas:

- Infertilidade pela falta de ovulação;

- Excesso de peso;

- Amenorreia;

- Menstruação irregular e anormal (apresentando intervalo do ciclo menstrual de 35 dias ou mais, menos de oito ciclos menstruais por ano, ou ainda períodos intensos e prolongados de menstruação);

- Níveis elevados de hormônios masculinos (que podem até alterar características físicas como excesso de pelos no rosto e corpo);

- Acne na fase adulta ou na adolescência;

- Calvície de padrão masculino;

- Pequenos cistos no ovário.

Mulheres com a síndrome apresentam valores mais elevados do percentual de gordura; adiposidade central; testosterona; triglicerídios; colesterol total e LDL e, por causa dessas características, apresentam também maiores riscos de manifestar doenças cardiovasculares.

A maior dificuldade ginecológica em relação à doença é a dificuldade de ovular e, em decorrência disso, a infertilidade. Após conseguirem engravidar, as mulheres que sofrem com a síndrome correm mais risco de sofrer abortos espontâneos, diabete gestacional, hipertensão arterial e pré-eclâmpsia. O tratamento adequado, no entanto, reduz a incidência dessas complicações.

Fisicamente podem aparecer áreas de espessamento e escurecimento da pele nas axilas, base do pescoço, nas dobras da pele e articulações dos dedos e cotovelos, por causa dos altos níveis de insulina.

Diagnóstico da doença

Embora a medicina tenha conseguido tratar muitos casos com a síndrome de ovários policísticos, melhorando a vida de várias pacientes, o diagnóstico ainda é feito por exclusão, ou seja, os médicos consideram os sintomas e excluem a possibilidade de outras doenças.

Para comprovar o diagnóstico, poderão ser feitos exames físicos verificando informações como peso, altura e pressão arterial. Exame pélvico, exames de sangue, mensuração dos níveis hormonais e exames de imagem (como ultrassonografia pélvica) também são realizados para excluir a possibilidade de tumor virilizante e avaliar a presença de cistos no local. Vale lembrar que síndrome pode ocorrer sem que o exame de ultrassonografia revele cistos no ovário.

Tratamento da síndrome do ovário policístico

O tratamento indicado pelo médico ginecologista ou médico endocrinologista tem como foco amenizar os sintomas e evitar complicações como infertilidade, acne e obesidade. Os medicamentos (anticoncepcionais, metformina, estatinas e hormônios) podem auxiliar na regulação do ciclo menstrual, redução dos níveis de insulina, prevenção da diabetes, auxílio na ovulação e redução do crescimento excessivo de pelos.

Aderir hábitos saudáveis como exercícios e uma alimentação balanceada são fatores fundamentais para o êxito do tratamento, pois atenuam os sintomas e dão às mulheres mais qualidade de vida durante o tratamento.

Após o tratamento adequado, estatísticas apontam que de 50% a 80% das pacientes voltam a ovular e de 40% a 50% obtém êxito ao tentar engravidar. A perda de peso também diminui os riscos de incidência de aterosclerose e diabetes nas mulheres que sofrem com a síndrome dos ovários policísticos.

Para mulheres que desejam engravidar, especialistas ministram tratamentos com o objetivo de promover a fertilidade e diminuir as chances de possíveis complicações durante a gestação, como aborto espontâneo, parto prematuro e pré-eclâmpsia.

Já no período de menopausa os hormônios femininos tendem a diminuir, a mulher passa a sofrer ainda mais com o enfraquecimento e a queda de cabelo nesse período. Também podem crescer pelos em outras partes do corpo, como rosto e peito, por isso é importante que as mulheres que identificarem os sintomas durante esse período façam o acompanhamento para monitoramento do quadro e aumento da qualidade de vida da paciente.

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