Pneumologia

O que é tabagismo?

Não é raro se deparar com imagens de pessoas extremamente debilitadas em decorrência do consumo de tabaco, em imagens impressas nos próprios maços de cigarro. Mesmo sabendo que o cigarro faz mal, são inúmeras as razões que podem levar as pessoas à prática de qualquer tipo de vício e com os fumantes não é diferente. Na maioria dos casos, quem fuma aderiu à prática ainda na adolescência por curiosidade ou influência de amigos, mas com o passar dos anos essa dependência se intensifica e passa a se tornar um hábito físico e emocional, que é altamente prejudicial: de acordo com a OMS é a principal causa de morte no mundo que pode ser evitada.

Todos os anos, estima-se que 4,9 milhões de pessoas morrem em decorrência do vício em tabaco e, se continuar nesse ritmo, a previsão é de que em 2030, esse número irá praticamente dobrar, saltando para 10 milhões de mortes no mundo todo. Engana-se quem pensa que o tabaco causa somente o câncer de pulmão. Ele pode ser a causa de mais de 50 doenças, devido à quantidade de substâncias tóxicas encontradas em sua composição (mais de 4700 substâncias, sendo que, pelo menos 70 delas são cancerígenas).

Além do cigarro, usado pela maioria das pessoas que consomem o tabaco, outros produtos expelem as mesmas substâncias e podem ser tão perigosos quanto. São eles: charuto, cachimbo, narguilé (comumente usado por jovens) e, até mesmo o cigarro eletrônico.

Quais são as causas

Uma das substâncias que tornam as pessoas dependentes de produtos derivados do tabaco é a nicotina, uma droga psicoativa que, segundo os usuários, proporciona sensação de prazer e bem-estar. Segundos após a inalação da fumaça no organismo, decorrente da tragada, milhares de substâncias nocivas que geram dependência química e psicológica, atingem a corrente sanguínea e são direcionadas para o sistema nervoso central. Tudo isso acontece extremamente rápido, em questão de segundos é liberada a dopamina, gerando efeitos como a diminuição da ansiedade e da fome, melhora na concentração e perda de peso.

No entanto, esse efeito dura somente algumas horas após a fumaça ser inalada. Depois disso, sintomas como irritabilidade, tremor, cansaço, dor de cabeça, azia, gastrite, garganta seca, ocasionados pela abstinência da nicotina começam a aparecer e levam o fumante a acender outro cigarro, gerando um ciclo vicioso. Como o sistema nervoso é constantemente exposto à substância, o cérebro se adapta e exige uma quantidade cada vez maior de nicotina para gerar a mesma sensação de bem estar perceptível no início.

Doenças decorrentes do Tabagismo

Ao inalar substâncias nocivas, os fumantes se sujeitam a ter câncer de pulmão, doenças cardiovasculares e o aumento de infecções respiratórias (como enfisema e bronquite crônica). Além das já citadas, que ocorrem com maior frequência, fumantes são mais propensos a desenvolver doença de Alzheimer, aneurisma, asma, AVC, câncer de boca e língua, câncer no esôfago, diabetes, hipertensão, ataque cardíaco, impotência sexual, infertilidade, osteoporose, leucemia, laringite, insuficiência renal, e até mesmo o envelhecimento precoce do organismo.

Esse mal não atinge apenas os fumantes, mas todos os que estão ao redor e são expostos às mesmas substâncias nocivas, os chamados os fumantes passivos que também estão propensos a desenvolver as mesmas doenças. Quando recém nascidos e crianças são expostos à fumaça correm risco sofrer morte súbita ainda na infância, podem desenvolver problemas respiratórios e tem mais chances de ser fumantes quando adultos.

Não existe uma quantidade mínima aceitável para o consumo dessa substância, as consequências são graves se fumar um único cigarro ou o maço inteiro. Fato é que o fumo constante pode trazer prejuízos irreversíveis e vários danos à saúde em longo prazo, mas quanto maior a quantidade consumida, mais riscos o fumante terá (tanto para o ativo, quanto o passivo).

A nicotina é semelhante a drogas como o álcool, cocaína e heroína, por atuar no sistema nervoso central e modificar o comportamento dos indivíduos que a consomem. Embora algumas pessoas relutem em acreditar que não estão viciadas e podem parar de fumar quando quiser, é importante frisar que o cigarro faz mal para o fumante e para todos aqueles que estão ao redor. Abaixo, detalhamos as principais doenças que podem atingir os fumantes ativos e passivos.

Câncer de pulmão

Todos os anos são descobertos mais de 150 mil novos casos de pessoas acometidas por esse tipo de câncer no Brasil e o tabagismo é responsável por 90% desses diagnósticos. O tumor maligno pode se estender desde a traqueia até a periferia do pulmão e é uma das principais causas de morte por câncer no Brasil. Estatisticamente, os fumantes têm 30 vezes mais riscos de desenvolver este tipo de câncer do que as pessoas que nunca colocaram um cigarro na boca. No geral, é uma doença silenciosa e letal, porque é diagnosticada em estágio avançado, por não apresentar sintomas no início.

A principal recomendação médica para não sofrer com o diagnóstico é evitar os fatores de risco. O ato de fumar é responsável por nove em cada dez casos de câncer de pulmão em homens e oito em cada dez casos em mulheres.

Doenças cardiovasculares

No Brasil, 300 mil pessoas morrem por ano vítimas desse tipo de doença e os principais fatores estão ligados diretamente a hábitos não saudáveis e que podem ser modificados. Entre as doenças cardiovasculares mais comuns estão: infarto agudo do miocárdio – que ocorre por causa da obstrução da coronária; doença vascular periférica – quando as artérias dos membros inferiores são obstruídas pelo acúmulo de gordura; acidente vascular cerebral – também os vasos sanguíneos cerebrais são obstruídos pelo acúmulo de gordura. Em todos os casos, o risco do paciente morrer é extremamente grande. Essas doenças estão diretamente ligadas a uma alimentação rica em gordura e alimentos processados, sedentarismo, sobrepeso e o tabagismo. O cigarro faz mal e é responsável por agredir a parede de células que compõe os vasos sanguíneos que faz com que as artérias fiquem mais suscetíveis à concentração de gordura.

Não é raro ouvir depoimentos de fumantes que reconhecem a quantidade de prejuízos causados pelo cigarro no próprio organismo. Decidir parar de fumar já é um grande passo e um psicólogo pode ajudar e acompanhar o paciente no período de abstinência até que ele pare definitivamente de consumir a substância. Em pouco tempo esse mesmo paciente sentirá a mudança considerável e positiva na qualidade de vida em todos os aspectos.

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