Psicologia

O que é o TDAH?

Dividir a atenção com várias coisas ao mesmo tempo, começar algo e o largar pela metade são alguns dos sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, o TDAH. Além de serem impulsivas, as crianças e jovens diagnosticados com o distúrbio tem dificuldade em sustentar a atenção em uma tarefa específica. É uma síndrome muito complexa. Para que os sintomas do transtorno se manifestem, é preciso ter uma combinação de fatores do meio ambiente em que a criança está inserida, genéticos e biológicos.

Trata-se de um transtorno neurobiológico que não acontece de forma isolada, mas acompanha o paciente desde o nascimento na maioria dos casos. Muitos se enganam ao associar o comportamento de crianças que possuem o transtorno à má educação ou negligência dos pais e, por isso, muitos casos acabam sem receber o tratamento adequado. O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é caracterizado por uma lista que compreende 18 sintomas. Desses, nove estão relacionados ao déficit de atenção, seis à hiperatividade e três à impulsividade. É importante ressaltar, também, que as crianças, adolescentes ou adultos com um ou alguns desses sintomas de forma isolada ou pontual, não são portadores da síndrome.

Outra característica importante é que ele é relativamente comum. Estatísticas apontam que, aproximadamente 5% a 8% das crianças possuem o diagnóstico. Conforme o paciente se desenvolve muitos acabam deixando de apresentar os sintomas, mas em cerca de 50% dos casos, eles permanecem presentes na vida adulta.

As crianças com TDAH tendem a ser mais esquecidas, desorganizadas, tem baixo rendimento escolar causado por problemas de aprendizagem, são introspectivas e tem baixa capacidade de organização.

O transtorno pode se apresentar em três tipos. São eles: predominantemente desatento; hiperativo-impulsivo; e combinado (que apresenta ambas as características).

Quais são as causas?

Apesar de não saber exatamente a causa o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, essa síndrome é muito estudada ao redor do mundo todo. Cientistas e estudiosos reuniram informações importantes a respeito do problema. Sabe-se que ele causa alterações significativas no cérebro (mais precisamente no córtex pré-frontal, núcleos da base e cerebelo), pode se manifestar de diversas formas e os sintomas podem surgir em diferentes graus de intensidade.

Um dos fatores que podem contribuir para seu surgimento é a hereditariedade. Crianças cujos pais são portadores da síndrome, são de duas a dez vezes mais propensas a ter o diagnóstico de déficit de atenção. O ambiente familiar também pode ter grande influência, porque aquilo que a criança vivencia em casa, pode repetir em outros lugares.

A exposição da criança a elementos químicos como o chumbo também pode aumentar as chances de que ela desenvolva a síndrome, bem como, algumas substâncias ingeridas durante a gestação como álcool e nicotina. Outro fator que aumenta as chances de a criança já nascer com a síndrome, é se a mãe vivenciou algum tipo de problema durante a gestação ou o parto.

Sintomas da Síndrome

Além dos sintomas recorrentes como o déficit de atenção, hiperatividade, o fato de serem impulsivas e facilmente irritáveis, quem se enquadrar no diagnóstico, deve apresentar, em primeiro lugar, um padrão persistente de desatenção em um grau que interfira no desenvolvimento acadêmico e social.

Dos três grandes grupos que compreendem os sintomas da doença (desatenção, hiperatividade e impulsividade), o paciente manifesta pelo menos um grupo de sintomas durante as diferentes fases da vida, mas essa predominância pode mudar. Por exemplo, uma criança que tinha o tipo de transtorno desatento, pode ser um adolescente hiperativo/impulsivo.

Na infância, ela tende a se manifestar com excesso de agitação e impulsividade (com perturbações, relacionamentos problemáticos, maiores riscos de acidentes como tombos e queimaduras, tem dificuldade de se submeter às regras). Já na adolescência, os sintomas comuns são de agitação em nível menor, mas prevalece a falta de organização e planejamento, dispersa facilmente e tem dificuldade de controlar os impulsos (a autoestima se torna bastante abalada).

Os sintomas quando adultos são procrastinação, desorganização, dificuldade na execução de tarefas, sensação de estar inquieto na maior parte do tempo, não sabe priorizar as tarefas, baixa autoestima, mudança frequente de emprego e dependência química.

Diagnóstico do Transtorno

Ao notar uma ou mais características relacionadas aos sintomas, a criança deverá ser encaminhada a um especialista. O diagnóstico é feito com a colaboração de pais e professores por estar intrinsecamente ligado ao comportamento nos vários ambientes que ela frequenta. O profissional irá avaliar o tipo de transtorno e o grau de intensidade dele.

É importante estar atento aos detalhes comportamentais do paciente suspeito de estar com a síndrome. Geralmente, ele é mais perceptível na criança em idade escolar pelo déficit de atenção do aluno.

Os médicos capacitados para lidar com esse tipo de transtorno são neuropediatras, neurologistas, psicólogos, psiquiatras, pedagogos e psicopedagogos.

Grande parte das crianças com TDAH permanecem prejudicadas ao longo da vida, por isso quanto antes o paciente for diagnosticado, melhor será o resultado do tratamento e, consequentemente, a qualidade de vida desse paciente.

Tratamento

Como envolve várias vertentes comportamentais, não existe uma solução única para o problema, o tratamento é feito de forma integrada e multidisciplinar com profissionais das áreas médica, mental e pedagógica. Os médicos podem receitar medicamentos, dependendo do grau de comprometimento do transtorno no paciente. São indicados grupos de apoio psicoeducativos para os familiares para que eles aprendam a lidar com os sintomas da síndrome, facilitando o convívio entre ambos.

Os tratamentos podem incluir, ainda, coaching, ginástica cerebral, biofeedback, terapias direcionadas ao funcionamento cerebral entre outras técnicas. O paciente deve se readequar para mudar hábitos cotidianos como a procrastinação, ajudando e dando suporte para que ele possa executar as tarefas e diminuir a intensidade dos sintomas.

Nos casos mais complexos, pode haver prejuízo funcional e a presença de comorbidades (consequências) como a depressão, e pode ser necessário o uso de medicamentos, até que ela consiga gerenciar os sintomas. Apesar das dificuldades proporcionadas pelo transtorno, com tratamento adequado e apoio dos familiares, é possível que os pacientes possuam excelentes resultados.

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