Reumatologia

O que é artrite gotosa?

Dor intensa nas juntas e inchaço são alguns dos sintomas que caracterizam a artrite gotosa, também conhecida como gota. Trata-se de uma das doenças reumáticas mais antigas já diagnosticadas e pode se tornar um quadro de inflamação grave nas articulações. Ela acontece quando o ácido úrico se acumula no sangue (situação denominada hiperuricemia), uma condição crônica causada por um distúrbio do metabolismo e esse ácido se acumula nas juntas, causando dores intensas.

Existem dois tipos de artrite gotosa: a gota aguda e a gota crônica. Enquanto a aguda acomete apenas uma articulação, a crônica pode envolver várias, gerando episódios constantes de dores agudas. Uma doença que acomete vinte vezes mais os homens e nas mulheres se encontra com maior frequência após a menopausa.

Outro dado preocupante é que em aproximadamente vinte anos, os casos de gota aumentaram consideravelmente em vários países, na mesma proporção em que aumentaram casos de hipertensão e diabetes.

Quais são as causas?

Tudo acontece por causa de um distúrbio do metabolismo que produz ácido úrico em níveis mais elevados na corrente sanguínea e esse ácido não é eliminado naturalmente, ao contrário, ele se acumula no líquido sinovial (que tem a função de lubrificar as articulações e tendões), formando cristais de ácido úrico, causando dor e inflamação.

A causa mais frequente de artrite gotosa é uma alteração nas enzimas que eliminam o ácido úrico pelos rins, o impedindo de exercer plenamente a função. O acúmulo também pode acontecer devido à quantidade de alimentos ingeridos ricos em purina – uma substância encontrada em todas as células do corpo e distribuídas em quase todos os alimentos, como carnes, especialmente a de porco, carnes de caça, cerveja, anchova, sardinha e álcool, entre outras. Alimentos como leite e derivados contém baixo teor de purina e, por isso, não necessitam de um controle tão rígido e podem até ajudar no controle dos níveis de ácido úrico no sangue.

Alguns estudos apontam que alimentos derivados de leite podem reduzir o risco de contrair artrite gotosa. Entretanto, para normalizar os níveis de ácido é necessário fazer um acompanhamento médico que combine a quantidade de ingestão de purina e a regularização das funções renais e metabólicas.

Fatores de risco

Entre as condições que podem predispor o paciente a ter artrite gotosa, estão: o aumento da expectativa de vida, o uso de alguns medicamentos (como os diuréticos), doenças e disfunções no rim (o impedindo de eliminar as substâncias e causando o acúmulo desse ácido), obesidade, e determinadas síndromes que ocorrem no metabolismo, causando alterações glicêmicas, na pressão arterial e nos níveis de colesterol.

Outros fatores que podem acarretar no diagnóstico da doença são hereditariedade, abuso de álcool e doenças como a arteriosclerose.

Sintomas da artrite gotosa

Entre os sintomas mais comuns da doença estão dores agudas nas articulações dos pés, tornozelos, joelhos, mãos e pulsos, que podem acontecer repentinamente, sendo mais frequente no período noturno. No geral, esses sintomas se caracterizam por incomodar muito os pacientes. Após esses picos de dor na articulação, eles podem sentir incômodo anormal nas articulações, que pode durar por semanas. Além disso, a área afetada pode adquirir pigmentação avermelhada ou em tons roxos e ser acompanhada por suor excessivo, febre, movimento articular limitado, queimação e sensibilidade extrema na região.

Outros sintomas podem ser a formação de tofos, que são caroços sobre a pele e ao redor das articulações que comprometem os tecidos moles e causam alterações degenerativas nos ossos e tendões. Na maioria dos casos, os tofos se desenvolvem em pessoas que convivem anos com a doença.

A forma como cada paciente irá reagir depois desse pico de dor, depende de cada organismo. Alguns podem não sentir mais a dor exacerbada, outros podem desenvolver a gota crônica – uma dor na articulação forte e constante que pode acarretar, até mesmo, na paralisação da articulação afetada. Após a melhora do episódio de crise aguda, pode ocorrer descamação ao redor da pele na articulação.

Como diagnosticar

É importante avaliar os sintomas e se a dor na articulação persistir, o paciente deve procurar ajuda médica especializada, como um reumatologista, por exemplo. Ele irá realizar o exame físico, comprovando o grau de comprometimento das articulações doloridas e, em seguida pode pedir exames de imagem e laboratoriais para comprovar o diagnóstico. Entre os possíveis exames, estão: análise do líquido sinovial, raio x, exames que medem a quantidade de ácido úrico na corrente sanguínea e na urina, além da biópsia sinovial (que extrai uma amostra da substância cartilaginosa para análise).

É importante ressaltar que não significa necessariamente que o paciente diagnosticado com uma quantidade superior aos níveis normais de ácido úrico no sangue irá ser portador de gota.

Tratamento da doença

O tratamento efetivo da doença combina uma série de fatores, porque o problema está muito mais ligado à questão metabólica do que propriamente à articulação afetada. O paciente precisará lidar com fatores controláveis como o peso (estatisticamente, apenas 3,4% de pessoas com peso ideal tem incidência de altos níveis de ácido úrico no sangue, em comparação com 11,4% de obesos), ter uma dieta restritiva a alimentos que contenham purina e se exercitar periodicamente, são medidas que podem contribuir para a diminuição dos sintomas. Entretanto, deve-se evitar o jejum e dietas com baixas calorias que ao invés de gerar benefícios, pode acabar trazendo o efeito inverso e, consequentemente, o aumento dos níveis de ácido úrico no sangue. Além disso, é recomendada a ingestão de frutas, vegetais, alimentos com baixo teor de gordura e produtos lácteos.

O médico especialista pode receitar, ainda, a utilização de alguns medicamentos como antiinflamatórios e analgésicos para diminuir a intensidade das dores e inchaços na área afetada. Medicamentos contendo corticoides também podem ser prescritos para amenizar os sintomas.

É importante que o paciente se submeta ao tratamento precocemente, pois se não tratada, a gota pode evoluir para complicações como artrite gotosa crônica, reincidência da doença em episódios frequentes, cálculos renais e insuficiência renal crônica.

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